Dólar despenca a R$ 5,63 e Ibovespa fecha estável após tarifas de Trump

Bolsas da Europa encerraram o dia em forte queda com temor da política comercial dos EUA

O dólar fechou as negociações desta quinta-feira (3) em baixa ante o real, acompanhando as perdas amplas da moeda norte-americana no exterior, à medida que os investidores reagiam ao anúncio na véspera de novas tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevavam os temores de uma recessão global.

No fim da sessão, a moeda norte-americana registrou baixa de 1,18%, a R$ 5,6290 na venda – menor cotação de fechamento desde 16 de outubro do ano passado, quando encerrou em R$5,6226. No ano a divisa acumula queda de 8,90% ante o real.

Na quarta-feira (2), o dólar à vista fechou em alta de 0,23%, a R$ 5,6963.

O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, fechou próximo da estabilidade, com queda de 0,04%, a 131.140,65 pontos.

Acompanhando o cenário negativo, os principais índices de Wall Street também registraram perdas nesta quinta. O Dow Jones caiu 4,01%, o S&P 500 perde 4,9% e o Nasdaq Composite afundou 5,9%.

Após várias sessões pautadas pela expectativa com o anúncio de Trump em 2 de abril, que ele vinha classificando como “Dia da Libertação”, os mercados demonstravam enorme aversão ao risco nesta quinta, já que as medidas apresentadas pelo presidente foram mais agressivas do que muitos esperavam.

Trump disse na última quarta-feira (2) que vai impor uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações para os EUA e taxas mais altas sobre alguns dos maiores parceiros comerciais do país, em uma medida que intensifica a guerra comercial iniciada por ele em seu retorno à Casa Branca.

As importações chinesas serão afetadas por uma tarifa de 34%, além dos 20% impostos anteriormente, elevando o novo imposto total para 54%. A União Europeia, por sua vez, enfrentará uma tarifa de 20% e o Japão será alvo de uma taxa de 24%. O Brasil recebeu uma tarifa de 10%.

A tarifa universal de 10%, que exclui determinados produtos, entrará em vigor em 5 de abril, enquanto as taxas recíprocas mais altas para parceiros serão implementadas em 9 de abril. A China e a UE prometeram responder com medidas retaliatórias.

A grande preocupação dos analistas, como vem sendo apontado desde a vitória eleitoral de Trump, é de que as tarifas elevem os preços de diversas mercadorias e afetem a atividade econômica, provocando um cenário de “estagflação”.

Com o anúncio de Trump, investidores temiam pela concretização de tal cenário, o que impulsionava a busca por ativos seguros, como o ouro e os títulos do Tesouro dos EUA.

“Os anúncios de Trump atingiram o limite pessimista das expectativas do mercado, elevando a taxa média de tarifas para mais de 20% — de apenas 2,5% antes de Trump assumir o cargo — a mais alta desde o início do século XX”, escreveu Roman Ziruk, analista sênior de mercado do Ebury, em nota.

“Embora isso marque uma mudança histórica nos EUA, as tarifas elevadas são vistas como um teto — sujeitas a negociação, a menos que haja retaliação”, completou.

Operadores também elevaram as apostas de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve, precificando totalmente três reduções até o fim deste ano e uma pequena chance de um quarto corte, devido aos temores de recessão na maior economia do mundo.

Com os rendimentos dos Treasuries despencando, em meio a forte demanda pelos títulos e a novas apostas sobre o Fed, a divisa dos EUA recuava de forma acentuada ante seus pares.

Para o Brasil e seus pares emergentes, o cenário significava ainda um diferencial de juros mais interessante para investidores estrangeiros, o que impulsionava o real, o peso mexicano e o peso chileno.

Na cena doméstica, investidores estão atentos à resposta do governo brasileiro às tarifas de Trump. Na quarta, o Executivo lamentou a tarifa adicional sobre os produtos do Brasil, acrescentando que avalia todas as possibilidades de resposta, incluindo um recurso à Organização Mundial de Comércio (OMC).

Enquanto isso, a Câmara dos Deputados aprovou, em resposta ao tarifaço de Trump, um projeto que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra produtos nacionais.

Bolsas caem

Os mercados de ações na Ásia-Pacífico e na Europa caíram nesta quinta-feira (3) e os mercados dos EUA seguiram a mesma tendência depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou novas tarifas sobre parceiros comerciais ao redor do mundo.

O índice de referência Nikkei 225 do Japão fechou com queda de 2,8%, enquanto o índice Kospi da Coreia do Sul fechou com queda de menos de 1%.

O índice de referência Hang Seng de Hong Kong fechou em queda de 1,5%.

Na Europa, o índice de referência europeu STOXX 600 fechou em queda de 2,57%, apagando os ganhos do indicador desde janeiro. O CAC da França caiu 3,31%, sua maior queda em um único dia desde julho de 2023 e o DAX da Alemanha caiu 3%.

O índice de referência da Itália caiu 3,6%, sua maior queda em um único dia desde março de 2023.

“Anúncio de tarifa muito mais draconiano do que o esperado”, disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research, em um e-mail. “Ações em queda livre devido ao impacto inflacionário esperado dessas tarifas.”

Fonte: CNN

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